Sorriso: Carta de familiares de presos questiona inclusão de Fábio Serafim, o estuprador de crianças, em trabalho no CRS

Redação Boa Notícias

Familiares de detentos que estão no CRS (Centro de Ressocialização de Sorriso) procuraram o JK Notícias e entregaram à reportagem uma carta manuscrita na qual fazem uma série de questionamentos sobre a distribuição de vagas de trabalho, cursos e projetos de ressocialização dentro do estabelecimento.

A principal reclamação apresentada no documento envolve Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, preso preventivamente em 15 de julho durante a Operação Puer Defensus, da Polícia Civil. Ele é investigado por estupro de vulnerável e crimes relacionados à produção, divulgação e armazenamento de material de exploração sexual infantojuvenil.

Segundo a carta recebida pelo JK, Fábio teria conseguido, em pouco tempo de permanência na unidade, entrar no chamado “projeto dos trabalhadores”, além de passar a participar de cursos. Os familiares questionam por que outros internos que, segundo eles, estão presos há mais tempo não teriam recebido as mesmas oportunidades.

É importante destacar que a carta apresenta alegações dos familiares e presos. O documento, por si só, não comprova favorecimento, irregularidade ou qualquer interferência financeira na escolha dos detentos que participam das atividades.

“Situação revoltante”, diz a carta

Logo no início, o autor da correspondência afirma que decidiu recorrer à imprensa para tornar pública uma situação que considera injusta dentro do sistema prisional.

Bom dia, venho por meio desta carta relatar uma situação revoltante que ocorre dentro do sistema carcerário de Sorriso-MT”, começa o texto.

Em seguida, o documento informa que se trata de um caso que ganhou grande repercussão na cidade e pede ajuda da mídia, argumentando que a divulgação poderia contribuir para mudanças dentro da unidade.

Trata-se de um caso que abalou a cidade de Sorriso, que foi bem recente, e contamos com a ajuda da mídia, pois só assim ganharemos força para mudar esse quadro”, registra a carta.

Na sequência, o texto passa a fazer referência ao caso envolvendo Fábio Serafim, sem inicialmente mencionar o nome dele, identificando-o pelo episódio que ganhou repercussão em Sorriso.

O documento afirma que ele estaria havia “menos de um mês” na unidade no momento em que a correspondência foi escrita e já participaria de atividades destinadas aos trabalhadores.

Ele está com menos de um mês na unidade prisional de Sorriso e já está no projeto dos trabalhadores e já está fazendo cursos”, diz a carta.

Como não há uma data claramente identificada no material entregue à reportagem, a expressão “menos de um mês” corresponde ao período em que o documento teria sido redigido. Fábio foi preso no dia 15 de julho de 2026.

Familiares dizem que outros presos aguardam há mais tempo

O principal questionamento apresentado é justamente a aparente rapidez com que, segundo os denunciantes, Fábio teria sido colocado no projeto.

A correspondência afirma que existem outros internos há mais tempo no sistema penitenciário que não estariam trabalhando nem participando de projetos sociais.

Enquanto outros internos que estão com mais tempo no sistema, e outros que estão com 1/6 da pena já paga, não participam de nenhum tipo de projeto social”, afirma outro trecho.

A carta vai além e faz uma acusação grave sobre os critérios de distribuição dessas oportunidades. Segundo o documento, detentos ou familiares teriam a percepção de que determinados perfis conseguiriam acesso com maior facilidade.

Em um dos trechos, o autor escreve que “aqui nesta unidade só está tendo oportunidade quem tem condições financeiras boas ou quem tem crime sexual”.

Essa alegação não veio acompanhada de documentos ou outros elementos que comprovem favorecimento por condição econômica ou pela natureza do crime.

Carta diz que alguns iriam “direto para a ala dos trabalhadores”

Na parte final, os denunciantes afirmam que Fábio não seria um caso isolado.

Segundo a correspondência, haveria outros presos em situação semelhante que teriam chegado à unidade e conseguido acesso à ala destinada aos trabalhadores sem passar pelo mesmo período de espera que outros detentos.

A segunda página termina a frase iniciada na anterior:

Já tem vários outros casos similares que já estão lá e nenhum deles passa pelo processo, ou seja, já vão direto para a ala dos trabalhadores.”

A carta é encerrada com um pedido de atenção da imprensa e da sociedade:

Contamos com a colaboração da reportagem e da atenção da população.”

É esse conjunto de afirmações que levou familiares a procurar o JK Notícias para pedir transparência sobre quem pode trabalhar, como as vagas são preenchidas, se existe fila de espera e quais critérios técnicos e de segurança são considerados pela direção da unidade.

Secretaria responde ao JK e diz que não existe distinção pelo crime

JK Notícias procurou a Secretaria responsável pelo sistema prisional e apresentou os questionamentos feitos pelos familiares.

Em resposta à reportagem, foi informado que a administração trabalha de maneira transparente e que as atividades de ressocialização precisam alcançar os presos independentemente da reprovação social causada pelo crime investigado ou cometido.

A manifestação encaminhada ao JK afirma:

“Fazemos uma gestão transparente e segura para todos. Sabemos que muitos ficam revoltados. Mas a Justiça está fazendo a parte dela.”

A resposta também aborda diretamente o fato de Fábio estar preso por suspeitas relacionadas a crimes sexuais contra crianças.

Segundo a Secretaria, a natureza do crime não pode ser utilizada para excluir automaticamente um detento dos programas de ressocialização.

“O trabalho do Centro de Ressocialização não olha para a conduta que o preso teve na rua. Lá trabalhamos com todos.”

A administração acrescentou:

“Todos os presos têm oportunidade, independentemente da situação que eles se encontram.”

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