Taxinexo sai do ar e usuários relatam prejuízos milionários após bloqueio de saques; muitas “vítimas” são de Sorriso

Redação Boa Notícias

Aplicativo prometia rendimentos com suposto aluguel de veículos autônomos nos Estados Unidos; investidores afirmam que pagamentos atrasaram e cobram explicações

A plataforma Taxinexo virou alvo de uma onda de denúncias nas redes sociais após usuários relatarem que não conseguem sacar o dinheiro aplicado no sistema. A situação teria começado com atrasos nos pagamentos e terminou com a interrupção das atividades da plataforma, deixando investidores de várias regiões do país apreensivos.

Vídeos publicados nas redes sociais afirmam que o prejuízo acumulado poderia ultrapassar R$ 58 milhões. O valor, entretanto, ainda não foi confirmado pelas autoridades, pela empresa ou por um levantamento independente.

A Taxinexo apresentava um modelo de negócio chamado “Taxi Autônomo”. Os usuários depositavam dinheiro para supostamente alugar veículos que seriam utilizados em operações nos Estados Unidos. Em troca, receberiam parte dos lucros gerados pelos automóveis.

Na descrição disponível na Google Play, o aplicativo informa que o usuário poderia receber uma parcela dos lucros gerados pelo veículo durante o período de aluguel, após o desconto de impostos e comissões operacionais. A página registra mais de 100 mil downloads e identifica o desenvolvedor como “Hoorin”.

Rendimentos poderiam passar de 300%

Conforme informações divulgadas sobre o funcionamento da plataforma, os usuários escolhiam modalidades de investimento ligadas a veículos supostamente operados em cidades como Miami, Nova York, Los Angeles, Austin, Phoenix, Atlanta, Washington e San Francisco.

Dependendo do plano escolhido, a promessa de rendimento poderia chegar a 300% ou mais sobre o dinheiro aplicado. Havia ainda divulgação do negócio entre amigos, familiares e conhecidos, além de reuniões organizadas por representantes locais.

Participantes relatam investimentos de R$ 7 mil, R$ 10 mil e até quantias muito superiores. Em determinadas cidades, centenas de moradores teriam aderido à plataforma.

Saques deixaram de cair nas contas

Os primeiros sinais de problemas teriam aparecido no início de setembro, quando os saques solicitados deixaram de ser pagos dentro do prazo informado, que seria de até 72 horas.

Inicialmente, representantes e divulgadores teriam pedido calma aos participantes, afirmando que o sistema passava por dificuldades temporárias. Uma das justificativas apresentadas nas redes sociais relacionava o atraso à greve da Caixa Econômica Federal.

A explicação passou a ser questionada porque a paralisação dos bancários não interrompeu as movimentações pelos canais digitais. A própria Caixa informou que operações eletrônicas continuavam funcionando.

Posteriormente, usuários receberam mensagens sobre uma suposta “verificação fiscal”. O comunicado teria alertado que os recursos poderiam ser bloqueados caso determinadas exigências não fossem cumpridas. A cobrança aumentou a desconfiança entre os investidores.

Segundo reportagem do Conecta Piauí, somente em São Julião, no Piauí, mais de 300 pessoas teriam aderido ao sistema. Também existem relatos de centenas de participantes em Simões e de usuários afetados em outros municípios da região.

Usuários suspeitam de pirâmide financeira

Após o bloqueio dos saques, participantes começaram a questionar se os veículos exibidos no aplicativo realmente existiam e estavam em operação nos Estados Unidos.

Também surgiram suspeitas de que o funcionamento da plataforma dependeria da entrada constante de novos participantes, característica frequentemente associada a esquemas de pirâmide financeira.

Até o momento, porém, não existe confirmação oficial de que a Taxinexo tenha cometido fraude ou operado uma pirâmide financeira. Essa conclusão depende de investigação das autoridades competentes.

A existência de uma empresa registrada ou de um CNPJ, por si só, não comprova que um investimento seja autorizado, seguro ou capaz de entregar os rendimentos prometidos.

Empresa ainda não esclareceu destino do dinheiro

Até a publicação desta matéria, não havia sido localizada uma manifestação pública conclusiva da Taxinexo explicando o bloqueio dos saques, a interrupção da plataforma ou quando os valores dos usuários seriam devolvidos.

Também não existe um balanço oficial sobre a quantidade de pessoas prejudicadas nem sobre o total movimentado. A cifra de R$ 58 milhões divulgada nas redes sociais deve, portanto, ser tratada como uma estimativa não comprovada.

O espaço permanece aberto para que a Taxinexo e seus representantes apresentem esclarecimentos.

O que os usuários devem fazer

As pessoas que aplicaram dinheiro e não conseguiram realizar os saques devem preservar todas as provas da operação, incluindo:

  • comprovantes de depósitos e transferências;
  • extratos bancários;
  • capturas de tela do aplicativo;
  • conversas com representantes e divulgadores;
  • mensagens sobre rendimentos, impostos ou liberações;
  • nomes e dados das contas que receberam os pagamentos;
  • contratos, vídeos, anúncios e links de grupos.

Os investidores também podem procurar a Polícia Civil, o Ministério Público, o Procon e um advogado. Caso o pagamento tenha sido realizado por Pix, é importante comunicar imediatamente o banco e solicitar a análise pelos mecanismos disponíveis para situações de suspeita de fraude.

Especialistas alertam que o usuário não deve realizar novos pagamentos sob a promessa de liberar saldo, pagar imposto antecipado ou desbloquear valores retidos. Pedidos desse tipo podem aumentar ainda mais o prejuízo.

O caso segue repercutindo nas redes sociais e deverá ser encaminhado aos órgãos responsáveis para apuração.

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