MT: Agrônomo, que matou a esposa com 16 facadas e esfaqueou a própria filha, deixa clínica particular e é transferido para hospital psiquiátrico público

Redação Boa Notícias

O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa, Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, com 16 facadas, e ainda esfaquear a própria filha, que tinha apenas 7 anos, em Lucas do Rio Verde, foi transferido de uma clínica psiquiátrica particular para o Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, unidade pública localizada em Cuiabá. A informação foi divulgada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família da vítima, e repercutiu nesta sexta-feira (9). A transferência ocorreu após a abertura de uma vaga na unidade pública e determinação judicial.

Daniel estava internado no Centro de Reabilitação Psicossocial de Cuiabá (Creap), uma instituição particular, enquanto aguardava disponibilidade no sistema público. A internação era custeada pelo Estado de Mato Grosso. Conforme informações divulgadas pelo g1, um documento contratual calculado em 25 de agosto previa R$ 203,4 mil para o período até 23 de dezembro de 2026. O valor contratual não significa, necessariamente, que todo o montante tenha sido efetivamente pago. Com a transferência, o acusado deverá permanecer no Adauto Botelho enquanto aguarda novas decisões da Justiça.

iframe

A mudança ocorre em meio a uma intensa disputa judicial sobre a condição mental de Daniel no momento do crime, ocorrido em 24 de junho de 2025. Dois exames psiquiátricos apontaram que ele seria inimputável, ou seja, que não teria capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos ou de agir conforme esse entendimento. O primeiro laudo relacionou a condição a um quadro depressivo, enquanto o segundo apontou esquizofrenia e transtorno bipolar. Entretanto, a família de Gleici e a assistência de acusação contestam as conclusões e defendem que novas provas, especialmente gravações de câmeras de segurança, sejam consideradas antes da decisão judicial definitiva.

Vídeos mostram acusado pegando faca antes de atacar esposa e filha

Conforme já mostrado em reportagem publicada no dia 6 de setembro, imagens de câmeras instaladas na residência registraram discussões entre Daniel e Gleici nos dias anteriores ao assassinato. Os desentendimentos envolviam questões financeiras, objetos e patrimônio do casal. Na manhã do crime, as imagens mostram o agrônomo circulando pela casa, entrando na cozinha, pegando uma faca e seguindo em direção ao quarto onde estavam a esposa e a filha. Posteriormente, ele aparece novamente nas gravações com sangue nas mãos e nos braços.

Segundo a acusação, Gleici e a menina estavam dormindo quando foram atacadas. O laudo de necropsia apontou que a mulher sofreu 16 golpes de faca, além de apresentar ferimentos nos braços e nas mãos compatíveis com tentativas de defesa. A criança também foi gravemente atingida, precisou de atendimento hospitalar e permaneceu 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela sobreviveu e passou a morar com a irmã mais velha, Caroline Fernandes, que acompanha a batalha judicial pela responsabilização do acusado.

Irmã do acusado teria orientado vítima a esconder facas

Outro ponto que ganhou repercussão foi a revelação de mensagens anteriores ao assassinato. Conforme informações divulgadas pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, Daniel teria ameaçado matar Gleici e a filha dois dias antes do crime. Uma mensagem atribuída a uma irmã do agrônomo mostraria a familiar orientando Gleici a esconder as facas da residência.

Em setembro, também repercutiram manifestações de familiares do acusado. Em uma delas, uma irmã de Daniel utilizou a expressão “foi trágico, mas pode acontecer”, declaração que virou tema de reportagem. A defesa e a família do agrônomo também questionaram a divulgação das gravações do caso, enquanto o advogado da família de Gleici sustentou publicamente que os vídeos poderiam ser divulgados e afirmou que tomaria as medidas cabíveis diante dos questionamentos. Essas controvérsias ocorreram paralelamente ao processo criminal.

Advogado quer nova análise e contesta inimputabilidade

O advogado Rodrigo Pouso Miranda afirma que as gravações são fundamentais para esclarecer o comportamento do acusado antes e depois dos ataques. Segundo ele, a assistência de acusação apresentou as imagens à Justiça e pediu uma nova análise da condição mental de Daniel. O Ministério Público de Mato Grosso também manifestou a necessidade de aprofundar a avaliação das provas.

Em manifestação divulgada nas redes sociais, o defensor confirmou que Daniel deixou a clínica particular e passou a ficar internado na unidade pública. O advogado afirmou que pretende demonstrar judicialmente que o acusado não era inimputável no momento dos crimes.

A discussão é decisiva para o andamento do processo. Embora os laudos psiquiátricos tenham concluído pela inimputabilidade, a palavra final caberá à Justiça, que deverá avaliar os exames médicos juntamente com as demais provas reunidas. A transferência para o Adauto Botelho não representa absolvição nem condenação e não encerra a disputa sobre a responsabilidade criminal do agrônomo.

Crime chocou Mato Grosso e acusado chegou a ficar preso em Sorriso

O feminicídio aconteceu na manhã de 24 de junho de 2025, em uma residência no bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde. Depois de atacar a esposa e a filha, Daniel também provocou ferimentos contra si próprio e recebeu atendimento médico. Gleici morreu no local, enquanto a menina foi socorrida em estado grave.

Após receber alta hospitalar, no dia 30 de junho de 2025, Daniel foi transferido para o Centro de Ressocialização de Sorriso. Ele teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e tornou-se réu por feminicídio consumado contra a esposa e tentativa de homicídio contra menor de 14 anos, em contexto de violência doméstica, contra a filha. Posteriormente, diante dos procedimentos de avaliação psiquiátrica, foi encaminhado para internação em unidade especializada.

Mais de um ano após a morte de Gleici, o caso continua provocando repercussão em Lucas do Rio Verde, Sorriso e em todo Mato Grosso. A família da vítima mantém a cobrança por Justiça e contesta a possibilidade de que Daniel seja considerado penalmente inimputável. Por enquanto, o engenheiro agrônomo permanece sob custódia em instituição psiquiátrica pública, aguardando os próximos encaminhamentos judiciais. Até a publicação das informações mais recentes, não havia uma nova manifestação da defesa sobre a transferência.

Compartilhe esta notícia