O sonho de encontrar uma companheira levou o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, a percorrer cerca de 2.100 quilômetros entre Imperatriz, no Maranhão, e Belo Horizonte, em Minas Gerais. Depois de mais de 36 horas de viagem, ele descobriu que a mulher com quem acreditava conversar pela internet era uma personagem criada por inteligência artificial.
Apresentada como “Jéssica”, a personagem aparecia em vídeos nas redes sociais e alimentava a expectativa de um relacionamento. Segundo o relato do trabalhador, ela o convidava para morar em uma fazenda em Minas Gerais. Edimar levou a proposta a sério e decidiu viajar para conhecê-la.
O pedreiro desembarcou na capital mineira no domingo (11). Ao procurar a reportagem da Rádio Itatiaia para tentar localizar a suposta pretendente, foi informado de que ela não existia no mundo real. As imagens eram produzidas por IA, e o perfil utilizava respostas automáticas para interagir com usuários.
Em entrevista à emissora, Edimar explicou que a solidão contribuiu para sua decisão de deixar o Maranhão. Ele contou que, após a morte da mãe, perdeu a vontade de permanecer em Imperatriz e passou a buscar a possibilidade de um recomeço.
“Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela”, afirmou.
Após descobrir que não encontraria a mulher, o trabalhador decidiu deixar Belo Horizonte. Sem recursos para comprar outra passagem, recebeu auxílio do Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da prefeitura. Na terça-feira (13), embarcou para Araguatins, no Tocantins, sua terra natal, em vez de retornar a Imperatriz.
O episódio também levou Edimar a aconselhar outras pessoas a terem cuidado com as expectativas criadas na internet. Em entrevista à TV Record, ele disse que resolveu viajar para conhecer quem lhe enviava mensagens, mas decidiu ir embora depois de perceber que a pessoa não era real.
Segundo a Itatiaia, este foi o terceiro caso semelhante registrado em Belo Horizonte em menos de seis meses. Outros dois homens, vindos de Roraima e de Manaus, também chegaram à cidade atraídos por vídeos de supostas mulheres criadas por inteligência artificial.
