Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai após crise bancária e pressão por impeachment

Redação Boa Notícias

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão ocorreu enquanto o Congresso discutia seu afastamento e após o mandatário perder apoio de integrantes do próprio Partido Colorado. O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país após a formalização da saída.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. Também defendeu a devolução do dinheiro dos correntistas e a proteção dos recursos públicos depositados na instituição. O pedido de renúncia ainda precisava ser aceito pelo Congresso, conforme as informações disponíveis no anúncio.

 

Crise bancária atingiu milhões de clientes

A crise se agravou depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank ao identificar que a instituição havia ficado abaixo das exigências mínimas de solvência — a capacidade financeira necessária para cumprir suas obrigações. Cerca de três milhões de clientes ficaram sem acesso às contas, desencadeando uma onda de reclamações e manifestações.

O banco havia crescido rapidamente e concentrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos. Desse montante, aproximadamente US$ 380 milhões estavam relacionados ao fundo estatal de previdência e saúde. A presença desses recursos ampliou a preocupação com os efeitos da intervenção sobre aposentados, trabalhadores e serviços públicos.

As autoridades anunciaram medidas para transferir contas e ativos viáveis a outras instituições. Segundo a Associated Press, os problemas identificados incluíam empréstimos de risco a pessoas e empresas relacionadas aos controladores, documentação insuficiente e despesas registradas de forma inadequada.

Vínculo com o banco ampliou desgaste político

A relação anterior de Peña com o grupo empresarial controlador do Ueno tornou-se um dos principais pontos de questionamento. O presidente havia sido acionista da holding até 2025. Parlamentares passaram a apontar suspeitas de conflito de interesses e a cobrar explicações sobre a fiscalização da instituição e a aplicação de recursos públicos. Essas acusações estão sob investigação.

A pressão aumentou com a apresentação de uma iniciativa de impeachment por 35 deputados. Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai, líder do Partido Colorado e padrinho político de Peña, também passou a apoiar o afastamento, aprofundando o isolamento do mandatário.

O escândalo também atingiu a direção do Banco Central. Carlos Carvallo deixou a presidência da instituição após pedido de Peña, que anunciou medidas para acelerar o ressarcimento dos correntistas. Na esfera criminal, o caso envolve 27 pessoas formalmente acusadas, e oito dirigentes e ex-dirigentes tiveram a prisão determinada.

Quem deverá assumir

Santiago Peña tomou posse em 15 de agosto de 2023 e tinha mandato previsto até 2028. Com sua saída, caberá ao vice-presidente Pedro Alliana assumir a Presidência para completar o período, conforme a regra de sucessão prevista na Constituição paraguaia. No momento do anúncio, a expectativa era de uma sessão do Congresso para aceitar formalmente a renúncia e dar sequência à transição.

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