Sorriso: STJ mantém preso corretor que perseguiu e atirou várias vezes contra carro de ex-mulher

Redação Boa Notícias

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes, negou pedido de soltura feita pela defesa do corretor de imóveis Bruno Pianesso Silva de Oliveira, mantendo sua prisão preventiva. Ele é acusado de tentar matar a ex-companheira de 31 anos, atirar várias vezes contra o veículo em que a vítima estava durante perseguição pelas ruas de Sorriso. Antes de abrir fogo, ele retirou o filho do casal, de 4 anos, do colo da mãe. Os disparos atingiram o pneu, o para-brisa e a janela do motorista.

A defesa buscava a revogação da prisão ou a substituição por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, argumentando que o acusado possui condições favoráveis, como primariedade e residência fixa. Além disso, alegou que houve apresentação espontânea à polícia e a entrega voluntária de armas vinculadas à sua condição de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

Contudo, ao analisar o caso, o ministro destacou a gravidade da conduta. De acordo com os autos, o investigado não aceitava o término do relacionamento e agiu de forma possessiva. No dia do crime, ele teria retirado o filho do colo da vítima à força, efetuado disparos contra o veículo onde ela estava e iniciado uma perseguição armada na rua. Um dos tiros atingiu a mulher na região do tórax. Mesmo ferida no seio direito, ela conseguiu dirigir até a UPA de Sorriso em busca de socorro, sendo perseguida pelo atirador durante o trajeto. Bruno deixou a criança na casa da própria mãe e iniciou fuga pela MT-242.

A decisão cita trechos do decreto prisional de primeira instância para fundamentar a necessidade da segregação:

“Consta dos autos que, no dia 27/03/2026, por volta das 20h10min, no endereço situado na Rua Mafra, nº 1957, bairro Jardim Taiamã, nesta cidade, o investigado BRUNO, inconformado com o término do relacionamento, passou a agir de forma violenta e ameaçadora contra sua companheira. Segundo relato da vítima, corroborado pelas oitivas policiais, o investigado afirmou que, caso ela não permanecesse com ele, não ficaria com mais ninguém, evidenciando motivação possessiva típica de violência de gênero”.

O ministro Og Fernandes reforçou que a periculosidade do acusado é evidenciada não apenas pelo modus operandi do crime, mas também pelo seu histórico. O réu possui diversas passagens criminais anteriores, todas relacionadas à violência doméstica contra a mulher. Sobre a manutenção da prisão, o relator destacou:

“Ao analisar sumariamente o conjunto das 4 irregularidades apontadas, denoto a presença da probabilidade do direito em 3 pontos, o que justifica a concessão de tutela provisória de urgência para suspensão do certame, diante dos indícios de restrição à competitividade decorrentes das exigências relativas à certificação ISO, ao não parcelamento do objeto e à cumulação de atestados sem justificativa técnica suficiente”, diz trecho.

Para o STJ, as medidas cautelares alternativas, como a tornozeleira eletrônica, mostram-se insuficientes diante do risco à integridade física e psicológica da vítima.

O ministro concluiu que a custódia é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, visto que o acusado chegou a empreender fuga logo após os disparos.

Com a decisão, Bruno Pianesso permanece preso preventivamente.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) denunciou o corretor de imóveis Bruno Pianesso Silva de Oliveira, de 32 anos, e pediu o pagamento de R$ 1 milhão de indenização pelos crimes cometidos contra a ex-mulher, de 31 anos, e o enteado, de 7. Ele é acusado de tentar matar a ex-companheira a tiros na frente do filho dela, em crimes enquadrados como tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio qualificado. O caso ocorreu no bairro Taiamã, em Sorriso.

Conforme a denúncia, na manhã do dia 27 de março de 2026, a vítima comunicou ao corretor a decisão de encerrar o relacionamento, o que desencadeou discussões e ameaças de morte. Naquela noite, a mulher decidiu deixar a residência onde morava, acompanhada dos dois filhos, de 7 e 3 anos.

No momento em que saía da garagem com o veículo, o homem chegou ao local e tentou impedir a partida. Armado com uma pistola, Bruno passou a ameaçá-la e ordenou que retornasse para dentro da residência. Em seguida, ao perceber que a vítima manobrava o carro para fugir, ele efetuou diversos disparos em direção ao veículo.

A mulher foi atingida na região do tórax, mas conseguiu escapar e dirigir até uma unidade de pronto atendimento, onde recebeu socorro médico. A criança de 7 anos, que estava acomodada em uma cadeirinha no banco traseiro, não foi atingida. Após o ataque, o acusado fugiu da cidade e foi localizado e preso preventivamente dias depois.

Para o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, responsável pela denúncia, o caso é marcado por extrema gravidade. “O acusado efetuou vários disparos contra a companheira, que estava no interior do veículo com uma criança, assumindo o risco de matar também o enteado. Houve total desprezo pela vida e pela integridade das vítimas”, afirmou.

Além das tentativas de feminicídio e de homicídio qualificado, o Ministério Público também denunciou o réu pelos crimes de ameaça no contexto de violência doméstica e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A Promotoria requereu, ainda, que Bruno seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, bem como a fixação de indenização mínima de R$ 1 milhão para reparação dos danos sofridos pelas vítimas.

O juiz Fabio Alves Cardoso, do Plantão da Comarca de Sorriso (MT), manteve a prisão do empresário e corretor de imóveis, Bruno Pianesso, durante audiência de custódia nessa segunda-feira (30/03). Ele é investigado por atirar na ex-companheira na sexta-feira (27/03), quando ela voltou à casa onde morava para buscar os pertences, após separação.

Bruno se apresentou na delegacia, na manhã de domingo (29/03), depois de passar 48 horas foragido.

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