Sorriso: “Fiquei na mesma ambulância do assassino do meu filho. O Gustavo era tudo pra mim e nem todo o dinheiro do mundo vai trazer meu filho de volta”, diz mãe ao pedir justiça

Redação Boa Notícias

Karina, mãe do pequeno Gustavo, de 4 anos, que morreu após um grave acidente envolvendo uma Land Rover e um Fiat Palio, falou ao JK sobre a dor da perda do filho e pediu que o caso não fique impune.

No momento da colisão, Karina estava no Palio com o namorado e a criança. Emocionada, ela afirmou que nenhuma mãe deveria passar pela experiência de enterrar um filho.

“Eu só gostaria de justiça, porque o que ele fez é inadmissível. Acho que nenhuma mãe gostaria de enterrar o próprio filho. Estou sem chão. Nem todo o dinheiro do mundo vai trazer meu filho de volta”, declarou.

Karina também relatou um dos momentos mais dolorosos vividos após o acidente. Segundo ela, enquanto era socorrida e levada ao hospital, percebeu que o motorista da Land Rover havia sido colocado na mesma ambulância.

“Quando me socorreram e me colocaram dentro da ambulância, enquanto eu tentava reagir, vi que ele estava lá dentro. Colocaram ele na ambulância para que as pessoas não o linchassem. Para mim, foi muito revoltante. O assassino do meu filho estava no mesmo lugar que eu”, desabafou.

Ainda bastante abalada, a mãe reforçou que deseja uma resposta da Justiça para evitar que outras famílias enfrentem uma tragédia semelhante.

“Eu só peço justiça pelo meu filho. Porque, se ninguém fizer nada, ele pode fazer isso com o filho de outra mãe, de outro pai. Só isso que eu peço: justiça”, afirmou.

Durante a entrevista, Karina também falou sobre a personalidade de Gustavo. Ela descreveu o menino como uma criança doce, alegre, carinhosa e muito educada.

“Meu filho era um menino doce, alegre e feliz. Mesmo quando estava doente, ele continuava sendo uma criança animada. Ele era tudo para mim. Todas as pessoas que conheceram meu filho o amavam”, contou.

A mãe revelou ainda que, desde a morte da criança, não conseguiu retornar para casa, pois todos os objetos do menino permanecem no local.

“Já faz dias que eu não entro na minha casa, porque não consigo. As coisas dele ainda estão lá, mas eu sei que ele não vai voltar. Eu só quero justiça”, finalizou.

As imagens de câmeras de monitoramento se tornaram uma das principais provas da investigação sobre o acidente que matou Gabriel Gustavo dos Santos Fontoura, de 4 anos, e deixou a mãe e o padrasto da criança gravemente feridos, na madrugada de domingo (12/07), em Sorriso.

Segundo o delegado da Polícia Civil Paulo Brambilla, os vídeos mostram que Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, motorista da Land Rover Discovery, já circulava em alta velocidade por diferentes vias da cidade antes de atingir violentamente a traseira do Fiat Palio ocupado pela família.

A análise das gravações começou logo após o registro da ocorrência e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Segurança Pública. Foram obtidas imagens de diferentes pontos de Sorriso, incluindo as avenidas Tancredo Neves, Blumenau e Claudino Frâncio.

Em uma das gravações, a Land Rover aparece passando em alta velocidade pelo cruzamento das avenidas Blumenau e Claudino Frâncio. Para os investigadores, o comportamento demonstra que a velocidade desenvolvida pelo motorista era incompatível com as condições da via.

As imagens também devem ser utilizadas para confrontar a versão apresentada por Gabriel em depoimento. O jovem afirmou que o Palio estava praticamente parado e sem sinalização, além de alegar que não conseguiu enxergar o veículo antes da colisão porque o trecho seria muito escuro.

No entanto, segundo a investigação, as gravações indicam que o Palio estava com as luzes acesas no momento em que foi atingido, contrariando a declaração do motorista.

Para a Polícia Civil, o conjunto de provas reforça a tese de que Gabriel assumiu o risco de provocar o resultado ao conduzir o veículo em alta velocidade. Esse entendimento fundamentou a autuação por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, pela morte da criança, e por duas tentativas de homicídio contra os demais ocupantes do Palio.

Motorista negou embriaguez e disse que tentou prestar socorro

Em depoimento obtido pelo JK, Gabriel afirmou que havia saído com amigos naquela noite e que, após deixá-los em casa, seguia para a própria residência.

Durante o trajeto pela Avenida Blumenau, ele alegou que não conseguiu visualizar o Palio antes do impacto. O motorista declarou que o trecho estava muito escuro e não soube explicar como o automóvel teria parado à sua frente.

Após a colisão, Gabriel afirmou que tentou ajudar as vítimas, que estavam presas dentro do veículo. Entretanto, segundo sua versão, pessoas que chegaram ao local passaram a hostilizá-lo, fazendo com que temesse pela própria segurança.

O jovem declarou que, apesar da situação, permaneceu nas proximidades até a chegada da polícia e das equipes de resgate.

Questionado sobre o consumo de bebidas alcoólicas, Gabriel negou ter ingerido álcool durante a noite. Ele, porém, recusou-se a realizar o teste do bafômetro oferecido pela Guarda Municipal, o que resultou na elaboração de um auto de recusa.

A versão apresentada pelo motorista será confrontada com as imagens das câmeras, os depoimentos das testemunhas e os laudos produzidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

Investigação reúne imagens, perícias e histórico do motorista

Além das gravações, a Polícia Civil reúne outros elementos considerados relevantes para esclarecer as circunstâncias do acidente.

Entre eles estão a recusa ao teste do bafômetro, os relatos dos agentes que atenderam a ocorrência, a solicitação de exame de sangue, a perícia que deverá estimar a velocidade da Land Rover e o histórico do investigado.

Gabriel estava com a Carteira Nacional de Habilitação suspensa em razão de uma infração relacionada à embriaguez ao volante registrada em 2025.

Conforme documento consultado pelo JK, a suspensão administrativa começou em 16 de abril de 2026 e permaneceria válida até 11 de abril de 2027. Portanto, ele estava proibido de conduzir veículos no momento do acidente.

Para o delegado Paulo Brambilla, o conjunto de elementos já reunidos demonstra que o caso vai além de um acidente de trânsito comum.

Justiça converteu prisão em flagrante em preventiva

Gabriel Dombski Welter permanecerá preso após a Justiça converter a prisão em flagrante em preventiva.

Na decisão, o magistrado considerou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade concreta do caso e do risco de repetição da conduta.

O juiz destacou que o motorista já havia sido submetido à suspensão administrativa do direito de dirigir, mas continuou conduzindo veículos.

“A experiência concreta demonstrada nos autos é a de que as medidas menos gravosas já foram tentadas pelo Estado, na forma da suspensão administrativa, e se mostraram absolutamente ineficazes para coibir a conduta do autuado”, diz trecho da decisão.

Ao final, a Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante em preventiva e a expedição do mandado de prisão.

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