O investigador da Polícia Civil Bruno Caetano Moro explicou como ocorreu o atendimento que ajudou a salvar um bebê de apenas 11 meses, na manhã desta quinta-feira, na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso. O esclarecimento foi feito após comentários e críticas divulgados nas redes sociais por pessoas que questionaram a atuação dos policiais durante a ocorrência.
Segundo Bruno, ele e o investigador Alan Prestes estavam encerrando o plantão, por volta das 6 horas, quando uma mulher chegou à delegacia carregando a criança desacordada e com dificuldades para respirar.
Alan, que estava próximo à recepção, percebeu imediatamente a gravidade da situação. Por já ter atendido uma ocorrência semelhante, o policial correu para providenciar uma viatura e chamou Bruno para ajudar no socorro.
“Eu estava tentando entender o que estava acontecendo quando fui até a recepção e percebi que a criança estava passando muito mal. A mãe estava desesperada e uma vizinha ajudava no atendimento”, relatou o investigador.
Vizinha levou mãe e bebê de motocicleta
Antes de chegar à delegacia, a mãe havia procurado ajuda de uma vizinha ao perceber que o filho estava engasgado e não conseguia respirar normalmente.
A mulher tentou realizar os primeiros procedimentos para desobstruir as vias respiratórias, mas não obteve resultado. Diante da urgência, colocou a mãe e o bebê em uma motocicleta e saiu do bairro Amazonas em busca de socorro.
Conforme o investigador, a iniciativa da vizinha foi fundamental para que a criança recebesse atendimento rapidamente.
“Foi uma boa ideia procurar ajuda na delegacia. Ela tentou ajudar na residência e, quando percebeu que não estava conseguindo, trouxe a mãe e a criança até nós”, afirmou.
Na urgência do momento, as duas mulheres chegaram à unidade policial sem capacetes e pedindo ajuda aos investigadores de plantão.
Atendimento ocorreu dentro da viatura
Ao contrário do que algumas pessoas afirmaram nas redes sociais, o investigador explicou que o procedimento de desobstrução não foi realizado na recepção da delegacia, mas no banco traseiro da viatura, enquanto a criança era levada para uma unidade de saúde.
Bruno pegou o bebê no colo, entrou no veículo e iniciou imediatamente a manobra de desengasgo, posicionando a criança com a cabeça voltada para baixo e aplicando palmadas nas costas.
Segundo o policial, posteriormente foi constatado que o bebê estava gripado e havia se engasgado com secreção.
“Quando fizemos a manobra, as vias aéreas foram desobstruídas e ele voltou a respirar. A criança já estava apagada, bastante molinha e havia ficado alguns minutos sem respirar”, explicou.
Após voltar a respirar, o bebê emitiu um choro fraco. Durante o deslocamento, Bruno continuou monitorando a respiração, aproximando o ouvido da boca e do nariz da criança para verificar a entrada e a saída de ar.
Enquanto isso, Alan conduzia a viatura rapidamente até a Unidade de Pronto Atendimento de Sorriso.
“Não havia tempo para esperar”
O investigador também respondeu aos questionamentos sobre a decisão de transportar o bebê na viatura, em vez de aguardar a chegada de uma equipe especializada de socorro.
Segundo ele, a situação exigia uma resposta imediata, pois cada minuto sem oxigenação poderia alterar completamente o desfecho da ocorrência.
“Não havia condição de esperar o socorro chegar. Precisávamos levar a criança o mais rápido possível para atendimento médico. Enquanto o Alan conduzia a viatura, eu estava no banco traseiro realizando os procedimentos”, esclareceu.
Bruno ressaltou que as imagens mostram o momento em que ele entra no banco traseiro com o bebê, local onde o atendimento continuou durante todo o trajeto.
“Algumas pessoas perguntaram onde o socorro havia sido feito. Foi dentro da viatura. Enquanto o policial fazia o deslocamento, eu estava atrás, com a criança no colo, cuidando da respiração”, disse.
Criança reagiu e ficou sob cuidados médicos
Ao chegar à unidade de saúde, o bebê foi entregue à equipe médica de plantão, que deu continuidade aos procedimentos. Conforme o investigador, a criança reagiu bem, recuperou a respiração e permaneceu sob observação.
“É um tipo de ocorrência em que não se pode perder tempo. Qualquer minuto pode mudar o final. Fizemos o que podíamos, da forma mais rápida possível, e, graças a Deus, tudo deu certo”, concluiu.
A rápida atuação dos investigadores e a iniciativa da vizinha formaram uma corrente de solidariedade que foi decisiva para o desfecho positivo. Mesmo sem possuir vínculo familiar com a criança, a mulher não hesitou em tentar os primeiros socorros e buscar ajuda imediata.
