Gaeco suspeita de tentativa de ocultação de provas após mudança repentina de empresária; Esquema tem prejuízo estimado em R$ 28,7 milhões; unidade localizada em Sorriso também é alvo de apuração

Redação Boa Notícias

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) suspeita que a mudança repentina de endereço de uma empresária investigada na Operação Safra Desviada tenha sido uma estratégia para dificultar as apurações e impedir a localização de documentos e outros elementos considerados importantes para o caso.

A informação consta na decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão cumpridos durante a segunda fase da operação, deflagrada no dia 24 de julho em Mato Grosso e São Paulo.

Segundo a investigação, Marianna Costa Araújo Duarte Mota teria deixado Lucas do Rio Verde e passado a morar em um condomínio de alto padrão em Sinop logo depois da primeira fase da operação. A mudança, conforme o Gaeco, teria ocorrido sem comunicação às autoridades.

Marianna é filha do empresário Renato Antonio Duarte, apontado nas investigações como um dos possíveis líderes do esquema. Ele seria ligado às algodoeiras investigadas e teria participação na gestão das empresas, nas supostas fraudes contratuais e na ocultação de documentos.

Diligências realizadas em Pernambuco também teriam constatado que empresas relacionadas aos investigados não funcionavam nos endereços informados nos registros oficiais. Para o Gaeco, as alterações de endereços residenciais e empresariais podem indicar tentativas de ocultar bens, eliminar provas ou dificultar o cumprimento de medidas judiciais.

Unidade de Sorriso é investigada

A decisão judicial também detalha a possível função de cada unidade da Algodoeira Lucas Cotton dentro do esquema investigado.

A matriz, localizada em Lucas do Rio Verde, concentraria decisões administrativas, documentos contábeis e registros financeiros do grupo empresarial.

Já a unidade de Nova Ubiratã, instalada na Fazenda Vale do Rio Celeste, teria sido utilizada para manipular o beneficiamento e a classificação do algodão pertencente às vítimas.

Em Sorriso, a unidade localizada na Fazenda Paranatinga passou a ser considerada um ponto de interesse para a investigação depois que surgiram informações sobre a retirada de caixas contendo documentos no dia da primeira fase da operação. O Gaeco também apura a existência de obstáculos que teriam sido criados para impedir a fiscalização dos produtores e empresas prejudicados.

Suposta fraude na classificação do algodão

De acordo com o Ministério Público, o esquema teria como uma das principais práticas a alteração da classificação visual do algodão.

A investigação sustenta que plumas consideradas de melhor qualidade eram supostamente rebaixadas de forma artificial. Com isso, eram aplicados descontos nos valores ou realizados cancelamentos de contratos.

Posteriormente, o algodão seria direcionado para empresas parceiras por meio de cessões de crédito consideradas fraudulentas, causando prejuízo aos produtores e empresas que haviam entregado o produto para beneficiamento.

O prejuízo estimado inicialmente é de aproximadamente R$ 28,7 milhões.

Na segunda fase da Operação Safra Desviada, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio patrimonial. A Justiça também determinou o sequestro de uma aeronave e de três veículos, a indisponibilidade de imóveis e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de dez pessoas físicas e jurídicas.

As ordens judiciais foram cumpridas em Lucas do Rio Verde, Nova Ubiratã, Sinop e Tapurah, em Mato Grosso, além dos municípios de Presidente Prudente e Álvares Machado, no estado de São Paulo.

Os fatos permanecem sob investigação. Os citados são considerados inocentes até que haja eventual condenação definitiva pela Justiça.

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