Os trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em diversas regiões do país. A decisão foi tomada durante assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), após as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo.
Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de diferentes estados aderiram à paralisação.
Um dos principais impasses nas negociações envolve o plano de saúde dos funcionários. De acordo com a entidade, a direção dos Correios pretende alterar o benefício, considerado um tema fundamental pela categoria.
A Findect afirmou que a decisão ocorreu após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Correios adotam plano para reduzir impactos
Os Correios informaram que colocaram em prática um Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos da greve aos clientes.
Entre as medidas estão o remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ações logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país.
A empresa também informou que apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, incluindo reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Crise financeira
A paralisação ocorre em meio a uma grave crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos no vermelho.
No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
Os Correios também aguardam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, que deverá ser obtido por meio de um consórcio de instituições financeiras. O valor já havia sido confirmado nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre deste ano.
Estados e regiões com adesão
Entre os sindicatos que aprovaram a paralisação estão representantes de Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Tocantins, Rondônia, Roraima, Acre, Amapá e Distrito Federal, além de sindicatos regionais.
A adesão e o funcionamento dos serviços podem variar conforme cada região. Em alguns locais, os serviços administrativos internos continuam funcionando.
Os Correios afirmaram que seguem empenhados em manter a prestação dos serviços postais e reduzir os efeitos da paralisação para a população.
