Município mais novo de Mato Grosso alcançou cerca de R$ 3 bilhões em valor da produção agrícola em 2025; criação da cidade também mexeu diretamente com o ranking de Sorriso e Nova Ubiratã
Boa Esperança do Norte, município mais novo de Mato Grosso, já nasceu ocupando posição de destaque no agronegócio brasileiro. Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colocam o município na 25ª posição entre as cidades brasileiras com maior valor da produção agrícola.
Instalado oficialmente em janeiro de 2025, Boa Esperança do Norte apareceu pela primeira vez de maneira independente no levantamento e registrou aproximadamente R$ 3 bilhões em produção agrícola.
Soja, milho e algodão puxam produção
A força da agricultura local está concentrada principalmente na soja, no milho e no algodão.
Segundo os dados da PAM 2025, somente a soja movimentou aproximadamente R$ 1,7 bilhão no município. O milho aparece na sequência, com cerca de R$ 952,8 milhões, enquanto o algodão respondeu por aproximadamente R$ 295,2 milhões.
Somadas, apenas essas três culturas chegam perto de R$ 3 bilhões, demonstrando o peso econômico das lavouras existentes dentro do território de Boa Esperança do Norte.
O levantamento do IBGE considera, entre outros indicadores, quantidade produzida, área colhida, rendimento médio e valor da produção das lavouras temporárias e permanentes de cada município brasileiro.
Criação de Boa Esperança mudou mapa agrícola da região
Além de colocar um novo município entre as principais potências agrícolas brasileiras, a instalação de Boa Esperança do Norte provocou uma reorganização das estatísticas de Sorriso e Nova Ubiratã, municípios que cederam áreas para a formação da nova cidade.
Aproximadamente 20% do território incorporado a Boa Esperança do Norte pertencia a Sorriso e cerca de 80% era de Nova Ubiratã. Com a nova divisão territorial, a produção dessas áreas passou a ser contabilizada oficialmente dentro do novo município.
O impacto foi percebido diretamente no ranking nacional.
Sorriso, que havia liderado durante seis anos consecutivos o ranking brasileiro de valor da produção agrícola, passou para a 3ª posição em 2025, com aproximadamente R$ 8,16 bilhões.
Mesmo com a mudança territorial e uma redução de 9,3% na área plantada contabilizada, o valor da produção de Sorriso cresceu 13,8% em termos nominais na comparação com 2024.
Nova Ubiratã também sentiu impacto
Em Nova Ubiratã, a mudança territorial teve efeito ainda maior. O município, que aparecia na 8ª posição nacional em 2024, caiu para o 20º lugar em 2025.
Segundo os dados divulgados a partir da PAM, Nova Ubiratã registrou cerca de R$ 3,5 bilhões em valor da produção agrícola e perdeu 42,9% da área plantada contabilizada após a formação de Boa Esperança do Norte.
Mato Grosso segue dominando o agro nacional
Apesar das mudanças entre os municípios, Mato Grosso manteve forte presença no topo do agronegócio brasileiro.
Em 2025, cinco dos dez municípios com maior valor da produção agrícola do país estavam em Mato Grosso. O Estado registrou aproximadamente R$ 165,6 bilhões em produção agrícola no período.
A liderança nacional passou para Sapezal (MT), com aproximadamente R$ 8,6 bilhões, seguido por São Desidério (BA), com cerca de R$ 8,2 bilhões. Sorriso aparece logo depois, na terceira colocação.
No conjunto do Brasil, o valor da produção agrícola chegou a aproximadamente R$ 927,2 bilhões em 2025.
A estreia de Boa Esperança do Norte na 25ª posição nacional, portanto, evidencia a dimensão econômica da área agrícola que passou a formar o novo município e consolida a cidade, já em seu primeiro ano administrativo completo, entre importantes polos do agronegócio brasileiro.
