Mulher afirma que estava zonza, fugiu descalça pela mata e bebeu água usada por animais até conseguir ajuda; homem, que é casado, pediu perdão à esposa e sustentou que a relação foi consensual
Uma mulher de 24 anos procurou o JK para apresentar sua versão sobre o caso de estupro registrado na manhã de sábado (29), às margens do Rio Celeste, na zona rural entre Sorriso e Vera. Um homem de 31 anos foi preso suspeito do crime.
Os dois confirmam que se conheceram durante a madrugada em um estabelecimento noturno localizado na Avenida Blumenau, em Sorriso, consumiram bebidas alcoólicas e depois seguiram de carro até o rio. No entanto, as versões divergem completamente sobre o que aconteceu no local.
A vítima afirma que estava muito alcoolizada e zonza, que rejeitou as investidas do homem e pediu diversas vezes para que ele parasse. O suspeito nega ter usado violência e sustenta que a relação sexual aconteceu com o consentimento dela.
“Eu falava que não queria e pedia para ele parar”, diz vítima
Em áudio encaminhado ao JK Notícias, a mulher contestou a versão apresentada pelo suspeito. Ela negou que tenha tomado a iniciativa da relação ou impedido o homem de buscar um preservativo.
Segundo a vítima, ela pediu uma camiseta emprestada para poder entrar no rio, pois estava usando calça. Depois do banho, os dois teriam atravessado o rio e retornado. Foi nesse momento, conforme o relato, que o homem começou a tentar agarrá-la.
A mulher contou que, ainda dentro do carro, havia recusado as investidas do suspeito. Já no rio, ele teria segurado sua mão e a levado até uma cabana de madeira onde havia um colchão velho.
“Eu já estava muito tonta e lembro vagamente de algumas coisas. Ele me colocou em cima da madeira, começou a me beijar e eu falava que não queria, que queria ir embora e que não estava bem. Ele segurou minhas mãos e começou a abusar de mim. O tempo todo eu falava que não queria e pedia para ele parar”, relatou.
A vítima também afirmou que os dois haviam ingerido grande quantidade de bebida alcoólica e que o suspeito teria ejaculado dentro dela. Posteriormente, já na unidade de saúde, ela recebeu medicamentos preventivos.
Fuga pela mata e água usada por animais
Conforme a mulher, quando o homem saiu de cima dela e entrou na água, ela aproveitou para fugir. Vestindo apenas a camiseta que havia pegado emprestada, saiu correndo descalça pelo meio da vegetação.
“Eu só lembro que ele saiu de cima de mim e vi a água se mexendo. Levantei e saí correndo para dentro do mato. Pensei que precisava sair dali, porque poderia me perder, morrer ou ser picada por uma cobra ou aranha”, contou.
Durante a fuga, a mulher disse que se abaixava constantemente para verificar se o suspeito estava seguindo seus passos. Depois de caminhar pela mata, ela avistou um cachorro e acreditou que poderia haver alguma residência nas proximidades.
O animal a teria conduzido até uma poça usada pelo gado para beber água. Cansada e com sede, a vítima afirmou que bebeu um pouco da água, lavou o rosto e continuou seguindo o cachorro, até encontrar os moradores de uma chácara.
“Eu estava toda suja e só com uma roupa por cima. Falei que tinha sido abusada e eles tomaram a iniciativa de chamar a polícia”, declarou.
Os moradores deram roupas à mulher e buscaram ajuda. A Polícia Militar foi acionada e encontrou a vítima com arranhões nas pernas. Ela foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu atendimento médico.
Suspeito diz que relação foi consensual
Antes de ser conduzido à delegacia, o homem negou o estupro. Ele afirmou que conheceu a mulher no estabelecimento noturno e que teria sido convidado por ela para ir ao rio.
“Ela me convidou para nós irmos ao rio tomar banho. Ela foi dirigindo o carro. Não fiz nada sem a vontade dela. Nós bebemos bastante, mas eu não fiz nada sem o consentimento dela”, declarou.
O suspeito disse que os dois entraram na água e posteriormente tiveram uma relação sexual consensual. Segundo ele, em determinado momento, voltou para o rio enquanto a mulher teria saído para buscar um copo e desaparecido.
Ele alegou que ficou procurando pela mulher por acreditar que ela poderia ter desmaiado, adormecido na margem ou caído no rio. O homem também confirmou que é casado, tem filhos e admitiu ter cometido um erro ao se envolver com outra mulher.
“Eu nunca fiz nada de errado. Tenho três filhos em casa. Por que eu iria sujar minha vida por causa de uma mulher que conheci naquela noite? Vim pedindo perdão para minha esposa e para Deus. Foi um erro meu”, afirmou.
Comentário sobre o tamanho do órgão sexual
O suspeito disse que a vítima teria dito que ele “tinha o pau pequeno” para questionar a acusação. A vítima, porém, afirmou que o comentário foi feito somente depois da abordagem policial, quando descobriu que ele era casado e tinha filhos.
“Ele não me falou que era casado. Na hora da raiva, eu falei que ele tinha o pau pequeno. Não foi intimidade nenhuma. Foi pelo fato de eu estar com raiva e, na explosão, acabei falando isso”, explicou.
Segundo ela, o comentário não significava que a relação havia sido consensual. A mulher disse ainda que decidiu apresentar sua versão porque, na avaliação dela, o suspeito estaria tentando se colocar como vítima.
Prisão e encaminhamento à delegacia
O sargento Almeida, da Polícia Militar, informou que a equipe foi acionada depois que moradores de uma chácara encontraram a mulher correndo, sem as roupas da parte de baixo, e pedindo socorro.
A vítima indicou o local onde teria ocorrido o abuso. Durante as buscas, os policiais localizaram o suspeito próximo ao rio, em um veículo branco. Ele confirmou que esteve com a mulher e que houve relação sexual, mas alegou consentimento.
No carro, conforme a PM, foram encontrados as roupas da vítima, recipientes de bebidas alcoólicas, energéticos abertos e uma porção de substância semelhante à maconha.
O homem foi conduzido à Delegacia da Polícia Civil pelo crime de estupro e pela posse da substância encontrada no automóvel. A vítima permaneceu sob cuidados médicos na UPA.
O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá analisar os depoimentos, os exames periciais e os demais elementos reunidos durante a ocorrência. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados para preservar a identidade da vítima e porque o caso ainda está sob investigação.
