Vitória Sara Bezerra Mota ou Lupatini, conhecida como “Sarinha da Toyota”, permanece presa após passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (28), em Sorriso. Ela é investigada na Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil para apurar um suposto esquema envolvendo negociações de veículos.
Conforme o termo da audiência de custódia, a magistrada não analisou pedido de liberdade e também não revogou ou substituiu a prisão preventiva. A juíza determinou somente que o juízo responsável pela expedição do mandado fosse comunicado sobre o efetivo cumprimento da prisão e a realização da audiência de custódia.
Defesa apresentará pedido no processo original
O advogado William dos Santos Puhl explicou ao JK que a magistrada responsável pela audiência de custódia não foi a mesma que decretou a prisão preventiva. Por esse motivo, segundo ele, a estratégia será apresentar o pedido de revogação diretamente no processo original, além de ingressar com um habeas corpus.
“Teve audiência de custódia, mas, como não era a juíza que decretou a prisão, foi feito apenas o comunicado da prisão. A magistrada não analisou a revogação. Agora vamos fazer o pedido dentro dos autos originários que decretaram a prisão e também o habeas corpus”, declarou o advogado.
Ainda conforme a defesa, se a audiência tivesse sido realizada pela magistrada responsável pela decisão que determinou a prisão, seria possível buscar a reapreciação do pedido de liberdade durante o procedimento.
Caberá agora ao juízo responsável pelo processo original analisar eventual pedido de revogação da preventiva. O habeas corpus deverá ser apreciado por uma instância superior.
Entrega à polícia
Sarinha se apresentou na Delegacia da Polícia Civil de Sorriso na tarde de quinta-feira (27), acompanhada do advogado. Ela estava sendo procurada desde quarta-feira (26), quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Pátio Paralelo.
O delegado Thiago Meira informou que os investigadores já acompanhavam a localização da suspeita e sabiam que ela estava no escritório do advogado. A equipe se preparava para realizar a abordagem quando foi comunicada de que Sarinha seria apresentada voluntariamente na delegacia.
Após chegar à unidade policial, o mandado de prisão preventiva foi cumprido. A investigada teria optado por permanecer em silêncio durante o interrogatório.
Operação Pátio Paralelo
A Polícia Civil investiga um suposto esquema de desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa, furto qualificado e possível lavagem de dinheiro.
Conforme a investigação, clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento ou transferiam valores para comprar automóveis novos. Parte dos carros e do dinheiro, porém, teria sido direcionada para pessoas e empresas ligadas aos investigados, fora do fluxo comercial regular da concessionária.
Entre 15 e 20 possíveis vítimas já teriam sido identificadas.
A apuração financeira também identificou aproximadamente R$ 50 milhões movimentados por pessoas e empresas relacionadas aos investigados durante um ano. A Polícia Civil ressalta que esse valor representa a movimentação financeira analisada e não o prejuízo efetivamente causado às vítimas.
A operação reuniu mais de 20 determinações judiciais, incluindo prisão preventiva, buscas e apreensões, afastamentos de sigilo bancário, bloqueios de ativos financeiros, sequestro de veículos e indisponibilidade patrimonial.
As investigações continuam para localizar veículos, identificar o destino do dinheiro e apurar a possível participação de outras pessoas e empresas. Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
