Sorriso: Justiça manda soltar “Sarinha da Toyota”; Desembargador acatou tese do advogado Willian Puhl

Redação Boa Notícias

O desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acatou a tese da defesa patrocinada pelo advogado Dr. Willian Puhl e concedeu parcialmente uma liminar e determinou a substituição da prisão preventiva de Vitória Sara Bezerra Mota, conhecida como “Sarinha da Toyota”, por prisão domiciliar.

A decisão foi proferida durante o plantão judiciário, após a defesa apresentar um pedido de habeas corpus. Vitória Sara é investigada pela Polícia Civil de Sorriso por supostos crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A investigação deu origem à Operação Pátio Paralelo, deflagrada no dia 26 de agosto. Segundo consta na decisão, os fatos teriam ocorrido em prejuízo da concessionária Toyota Rodobens, onde a investigada trabalhava como consultora de vendas.

A prisão preventiva havia sido decretada no dia 14 de agosto. Na ocasião, foram apontados possíveis riscos de repetição das condutas, ocultação de patrimônio, destruição de provas e eventual tentativa de evitar a aplicação da lei penal.

Vitória Sara apresentou-se voluntariamente na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso no dia 27 de agosto, acompanhada de seu advogado Dr. Willian Puhl. Ela permaneceu custodiada na unidade policial devido à falta de vaga em um estabelecimento prisional feminino adequado.

Ao analisar o pedido, o desembargador considerou que os mandados de busca e apreensão já haviam sido cumpridos e que celulares, computadores e documentos recolhidos estavam sob responsabilidade do Estado. Também foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial e quebra de sigilos durante a investigação.

A decisão ainda destacou que não foi apresentado nenhum episódio concreto de tentativa da investigada de intimidar vítimas ou interferir nas apurações. Para o magistrado, eventuais riscos podem ser controlados por medidas cautelares menos severas.

Outro fundamento levado em consideração foi o fato de Vitória Sara ser mãe de uma criança de quatro anos. O Código de Processo Penal prevê a possibilidade de prisão domiciliar para mulheres com filhos menores de 12 anos, desde que os crimes investigados não envolvam violência, grave ameaça ou tenham sido praticados contra os próprios dependentes.

Com a decisão, “Sarinha da Toyota” deverá manter endereço, telefone e e-mail atualizados perante a Justiça. Ela também está proibida de manter qualquer tipo de contato com os demais investigados e com as vítimas relacionadas ao inquérito.

O descumprimento das determinações poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e em uma nova ordem de prisão preventiva. A liminar não representa absolvição nem encerra a investigação, que continua sob responsabilidade da Polícia Civil. O mérito definitivo do habeas corpus ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça.

FICOU PRESA FINAL DE SEMANA

Vitória Sara Bezerra Mota ou Lupatini, conhecida como “Sarinha da Toyota”, permanece presa após passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (28), em Sorriso. Ela é investigada na Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil para apurar um suposto esquema envolvendo negociações de veículos.

Conforme o termo da audiência de custódia, a magistrada não analisou pedido de liberdade e também não revogou ou substituiu a prisão preventiva. A juíza determinou somente que o juízo responsável pela expedição do mandado fosse comunicado sobre o efetivo cumprimento da prisão e a realização da audiência de custódia.

Defesa apresentará pedido no processo original

O advogado William dos Santos Puhl explicou ao JK que a magistrada responsável pela audiência de custódia não foi a mesma que decretou a prisão preventiva. Por esse motivo, segundo ele, a estratégia será apresentar o pedido de revogação diretamente no processo original, além de ingressar com um habeas corpus.

“Teve audiência de custódia, mas, como não era a juíza que decretou a prisão, foi feito apenas o comunicado da prisão. A magistrada não analisou a revogação. Agora vamos fazer o pedido dentro dos autos originários que decretaram a prisão e também o habeas corpus”, declarou o advogado.

Ainda conforme a defesa, se a audiência tivesse sido realizada pela magistrada responsável pela decisão que determinou a prisão, seria possível buscar a reapreciação do pedido de liberdade durante o procedimento.

Caberá agora ao juízo responsável pelo processo original analisar eventual pedido de revogação da preventiva. O habeas corpus deverá ser apreciado por uma instância superior.

Entrega à polícia

Sarinha se apresentou na Delegacia da Polícia Civil de Sorriso na tarde de quinta-feira (27), acompanhada do advogado. Ela estava sendo procurada desde quarta-feira (26), quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Pátio Paralelo.

O delegado Thiago Meira informou que os investigadores já acompanhavam a localização da suspeita e sabiam que ela estava no escritório do advogado. A equipe se preparava para realizar a abordagem quando foi comunicada de que Sarinha seria apresentada voluntariamente na delegacia.

Após chegar à unidade policial, o mandado de prisão preventiva foi cumprido. A investigada teria optado por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Operação Pátio Paralelo

A Polícia Civil investiga um suposto esquema de desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa, furto qualificado e possível lavagem de dinheiro.

Conforme a investigação, clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento ou transferiam valores para comprar automóveis novos. Parte dos carros e do dinheiro, porém, teria sido direcionada para pessoas e empresas ligadas aos investigados, fora do fluxo comercial regular da concessionária.

Entre 15 e 20 possíveis vítimas já teriam sido identificadas.

A apuração financeira também identificou aproximadamente R$ 50 milhões movimentados por pessoas e empresas relacionadas aos investigados durante um ano. A Polícia Civil ressalta que esse valor representa a movimentação financeira analisada e não o prejuízo efetivamente causado às vítimas.

A operação reuniu mais de 20 determinações judiciais, incluindo prisão preventiva, buscas e apreensões, afastamentos de sigilo bancário, bloqueios de ativos financeiros, sequestro de veículos e indisponibilidade patrimonial.

As investigações continuam para localizar veículos, identificar o destino do dinheiro e apurar a possível participação de outras pessoas e empresas. Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.

Veja a “capivara” de Sarinha da Toyota: Tem de contas abertas sem autorização a carros pagos e não entregues, transferências bancárias, uso de dados de familiares, pagamentos de móveis e negociações de veículos

A Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil em Sorriso, colocou no centro das investigações Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha da Toyota”. A jovem é investigada por suspeita de participação em um esquema envolvendo desvio de veículos e valores pagos por clientes durante negociações comerciais.

Entretanto, boletins de ocorrência feitos por várias vítimas revelam que o nome de Sara já aparecia em registros policiais muitos anos antes da operação. Os documentos contam histórias diferentes, envolvendo desde conflitos familiares e contas bancárias supostamente abertas sem autorização até pagamentos por móveis planejados, transferências via Pix e negociações de veículos que não teriam seguido o fluxo regular da concessionária.

Os boletins são registros das versões apresentadas pelos comunicantes e não representam, isoladamente, condenação ou comprovação definitiva dos crimes narrados. Alguns fatos podem fazer parte de procedimentos independentes da Operação Pátio Paralelo.

Primeiro registro é de 2020

O boletim mais antigo analisado pela reportagem foi registrado em outubro de 2020. Na ocorrência, um homem relatou que foi até a residência de Sara para buscar documentos pessoais que, segundo ele, não estavam sendo devolvidos.

O homem afirmou que houve uma discussão e que precisou pular o muro para deixar o imóvel. No mesmo registro, alegou que Sara estaria criando contas bancárias utilizando os dados de sua esposa.

O homem declarou ainda que ficou com um aparelho celular como garantia para recuperar os documentos. Toda a narrativa corresponde à versão apresentada por ele no momento do registro.

Pix de R$ 3 mil e movimentação de aplicação

Em agosto de 2023, uma mulher procurou a Polícia Civil após identificar uma transferência via Pix de R$ 3 mil em sua conta bancária.

De acordo com a vítima, o dinheiro foi enviado para uma empresa de gestão de pagamentos e o nome de Sara aparecia como beneficiária da operação. A comunicante também relatou que R$ 9 mil teriam sido retirados de uma aplicação e colocados na conta-corrente, mas que a transferência desse segundo valor aparentemente não foi concluída.

A mulher disse que, no horário da movimentação, Sara, que era sua nora, havia pegado seu celular com a justificativa de fazer um backup no computador.

Contas bancárias desconhecidas e dívidas

Entre fevereiro e julho de 2024, a mesma família registrou uma série de boletins relatando a descoberta de contas bancárias e dívidas que os titulares afirmavam não reconhecer.

Em um dos casos, uma mulher declarou que procurou uma instituição financeira para negociar um financiamento destinado à conclusão de sua casa. Durante a análise, teria descoberto uma dívida inicial de R$ 745 em uma conta do banco Neon.

Segundo ela, telefone, endereço eletrônico, endereço de entrega do cartão e outras informações cadastradas na conta apresentavam ligação com Sara. Ao ser questionada, Sara teria negado qualquer envolvimento.

Em junho daquele ano, a mulher registrou nova ocorrência depois de receber ligações de cobrança do Nubank. Ao entrar em contato com a instituição, descobriu uma conta em seu nome e uma dívida de aproximadamente R$ 1,9 mil. A comunicante afirmou que os dados cadastrais seriam os mesmos utilizados pela familiar mencionada nos boletins anteriores.

Poucos dias depois, outro registro foi realizado após a descoberta de uma conta no Will Bank, aberta em maio de 2023, com débito de R$ 2.001,95. Conforme o boletim, entre as movimentações havia uma recarga de celular vinculada ao número atribuído a Sara.

Em julho de 2024, um homem da mesma família afirmou ter consultado o Banco Central e encontrado uma conta do banco Neon aberta em seu nome sem autorização. Ele declarou que o e-mail, telefone e endereço informados no cadastro bancário estariam ligados à nora.

Os registros mostram uma repetição nas denúncias: contas digitais desconhecidas pelos titulares, dívidas e informações cadastrais que, conforme os comunicantes, apontavam para Sara. Não consta nos boletins analisados uma conclusão definitiva das investigações desses episódios.

Pagamentos de móveis planejados

O nome de Sara também aparece em ocorrências envolvendo uma empresa de móveis planejados na qual ela teria trabalhado.

Em julho de 2024, uma cliente relatou ter fechado um contrato de R$ 90 mil para a produção de móveis. O pagamento seria composto por um veículo avaliado em R$ 60 mil, além de R$ 30 mil transferidos em diferentes pagamentos.

Segundo a vítima, o veículo foi entregue à empresa, mas os R$ 30 mil enviados por Pix foram depositados em um CNPJ registrado em nome de Sara. A empresa teria informado que recebeu somente o automóvel.

Outro boletim, registrado em agosto de 2024 pelo proprietário de uma loja de móveis, relata que Sara teria entrado em contato com clientes inadimplentes e solicitado que os pagamentos fossem realizados em sua conta pessoal ou por links gerados em seu CPF.

O empresário afirmou que as movimentações totalizaram R$ 56.771,04. O caso teria sido descoberto quando funcionários da loja cobraram clientes que apareciam como inadimplentes e receberam comprovantes mostrando que as parcelas já haviam sido pagas.

Uma atualização posterior acrescentou o relato de outra empresa que teria transferido R$ 2 mil para Sara. O comunicante também declarou que ela deixou de comparecer ao trabalho, pediu demissão pelo WhatsApp e permaneceu com um celular pertencente à loja.

Negociação de Hilux ultrapassou R$ 300 mil

Os boletins relacionados à venda de veículos ganharam força entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026.

Em uma das ocorrências, um cliente relatou que negociou uma Toyota Hilux 2023 com Sara dentro da concessionária onde ela trabalhava. Segundo o documento, ele depositou R$ 34 mil como sinal e outros R$ 186 mil para quitar o restante do veículo.

Após cerca de dois meses sem receber a caminhonete, o cliente pediu a devolução do dinheiro. Diante da demora, afirmou ter negociado outro veículo mais novo e realizado um pagamento adicional de R$ 105 mil, novamente na conta pessoal da vendedora.

O homem disse que chegou a receber a segunda caminhonete, mas posteriormente descobriu que o débito do veículo continuava em aberto na concessionária. Conforme o relato, os valores que deveriam ter quitado a negociação não teriam sido repassados ao estabelecimento.

Somados, os pagamentos mencionados nesse boletim chegam a R$ 325 mil, embora parte da quantia estivesse relacionada à primeira negociação, posteriormente substituída por outro veículo.

Dois depósitos de R$ 100 mil

Outro boletim, registrado em abril de 2026, conta a história de uma mulher que afirmou ter realizado dois depósitos de R$ 100 mil, totalizando R$ 200 mil, para comprar um veículo.

Diferentemente de outros casos, os pagamentos teriam sido realizados presencialmente e enviados para uma conta em nome da empresa. Mesmo assim, o veículo não foi entregue na data acertada.

A vítima declarou que uma representante da concessionária informou que o dinheiro recebido havia sido transferido para uma conta ainda desconhecida e que a situação estava sendo apurada internamente. Sara teria deixado de comparecer ao trabalho dias antes.

Idoso relata conta, empréstimo e uso de cartão

Em maio de 2026, foi registrado um boletim envolvendo um idoso que conheceu Sara na concessionária. De acordo com a ocorrência, ela teria se aproximado dele, realizado favores e conquistado sua confiança.

Após um alagamento na residência do idoso, Sara teria se oferecido para verificar a existência de um seguro residencial. O homem alegou que forneceu documentos e fez reconhecimento facial acreditando que o procedimento seria necessário para acionar o seguro.

Posteriormente, teria descoberto uma conta digital aberta em seu nome. Conforme o relato, o dinheiro do seguro foi direcionado para essa conta, desconhecida por ele, e utilizado pela investigada. O idoso também declarou ter encontrado um empréstimo de aproximadamente R$ 20 mil em seu nome.

Depois de um acordo e da assinatura de uma nota promissória, Sara teria realizado quatro pagamentos, totalizando R$ 5,4 mil. O comunicante afirmou que, mesmo após o acordo, constatou novas compras realizadas com um cartão virtual vinculado à conta.

R$ 100 mil por um Corolla

Em julho de 2026, um cliente registrou ocorrência após negociar a compra de um Toyota Corolla.

Segundo o boletim, Sara entrou em contato pelo WhatsApp oferecendo o veículo. Como o homem já havia realizado outras negociações com ela, aceitou a proposta e transferiu inicialmente R$ 5 mil. Depois, enviou mais R$ 95 mil, totalizando R$ 100 mil depositados na conta pessoal da vendedora.

O carro teria sido entregue por outro cliente como parte do pagamento de um veículo zero-quilômetro, mas acabou anunciado e vendido para uma terceira pessoa.

Quando foi cobrada, Sara teria prometido devolver o dinheiro. O comunicante relatou ter recebido somente R$ 500. Depois disso, ela teria alegado que sua conta bancária havia sido bloqueada e deixado de responder às mensagens.

Transferência de R$ 5 mil durante viagem

Outro boletim, registrado em agosto de 2026, relata uma transferência bancária supostamente realizada sem autorização durante uma viagem.

O comunicante afirmou que estava na praia acompanhado de Sara e deixou o celular carregando, desbloqueado e com o aplicativo bancário aberto. Posteriormente, identificou uma transferência agendada de R$ 5 mil para uma conta em nome dela.

Segundo o homem, Sara alegou estar passando mal e foi levada por ele até a rodoviária. O comunicante disse que somente depois descobriu a movimentação. Ao ser procurada, ela teria prometido devolver o dinheiro, o que, conforme o boletim, ainda não havia ocorrido.

Boletins em que Sara aparece como vítima

Além das acusações, os documentos analisados também incluem ocorrências registradas pela própria Sara, nas quais ela aparece como vítima.

Em abril de 2026, ela denunciou um homem com quem afirmou ter mantido um relacionamento. Segundo sua versão, o suspeito não aceitava o término, fazia ameaças, divulgava informações sobre valores que teria transferido e dizia que iria matá-la e depois tirar a própria vida.

Sara relatou que o homem foi até seu local de trabalho, abriu a porta de seu carro e tomou seu celular. Enquanto ela registrava a ocorrência, o suspeito apareceu no pátio da delegacia em uma Hilux. O boletim informa que ele tentou fugir da abordagem e que um policial disparou contra um dos pneus do veículo. O homem foi preso e o celular foi encontrado dentro da caminhonete.

Em agosto, Sara registrou outro boletim por ameaça e injúria. Ela declarou que um conhecido, antigo cliente da empresa onde trabalhava, havia lhe emprestado dinheiro e passou a acreditar que os dois mantinham um relacionamento. Segundo ela, o homem fazia cobranças insistentes, enviava mensagens ofensivas e tentou descobrir em qual apartamento ela morava. Sara pediu medidas protetivas, embora tenha informado naquele momento que não desejava representar criminalmente contra ele.

Sara também denunciou bloqueio de R$ 68 mil

Em junho de 2026, Sara procurou a Polícia Civil para registrar uma ocorrência de preservação de direito contra a Caixa Econômica Federal.

Ela declarou que sua conta havia sido bloqueada e posteriormente encerrada, deixando indisponível um saldo de R$ 68.255,51. No boletim, afirmou que o dinheiro tinha origem lícita e que possuía documentos para comprovar todas as movimentações.

Sara alegou ter comparecido quatro vezes às agências bancárias, em Sorriso e Lucas do Rio Verde, mas não conseguiu resolver a situação. Conforme sua versão, um gerente teria se recusado a receber a documentação. Ela disse que o banco encerrou a conta sob a justificativa de que os documentos não haviam sido apresentados.

O registro não estabelece relação direta entre esse bloqueio e a Operação Pátio Paralelo, que seria deflagrada somente dois meses depois.

Operação Pátio Paralelo

A Polícia Civil deflagrou a Operação Pátio Paralelo no dia 26 de agosto para investigar um grupo suspeito de desviar veículos, fraudar negociações comerciais, cometer furtos qualificados, formar associação criminosa e lavar dinheiro.

A apuração está concentrada nas negociações realizadas dentro de uma concessionária de Sorriso. Segundo a polícia, clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento de carros novos, mas esses automóveis não eram inseridos no fluxo regular da empresa.

Os veículos teriam sido direcionados para outras garagens ligadas aos investigados. Pagamentos também teriam sido depositados em contas de pessoas físicas, terceiros e empresas relacionadas ao grupo.

O nome “Pátio Paralelo” faz referência justamente ao caminho supostamente dado aos automóveis: em vez de seguirem para o pátio e para a contabilidade regular da concessionária, teriam sido encaminhados para um circuito paralelo.

Até o momento, a Polícia Civil identificou entre 15 e 20 possíveis vítimas, com prejuízo diretamente apurado superior a R$ 2 milhões. A investigação aponta que as contas relacionadas ao grupo movimentaram aproximadamente R$ 50 milhões durante um ano.

A polícia reforça que os R$ 50 milhões representam movimentação financeira e não o prejuízo comprovado. Somente uma conta pessoal atribuída a Sara teria movimentado cerca de R$ 8 milhões no período analisado.

Mais de 20 determinações judiciais foram expedidas, incluindo um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e a indisponibilidade patrimonial até o limite de R$ 2 milhões.

“Ponto principal das fraudes”, diz delegado

Vitória Sara, que ficou conhecida como “Sarinha da Toyota”, apresentou-se à Polícia Civil na tarde de quinta-feira (27), acompanhada do advogado William Puhl.

O delegado Thiago Meira afirmou que a polícia já sabia que Sara estava no escritório do advogado e monitorava o local. Uma equipe se preparava para abordar o veículo quando a defesa informou que a investigada estava a caminho da delegacia.

Após a apresentação, o mandado de prisão preventiva foi cumprido. O delegado declarou que, até o atual estágio da investigação, Sara é considerada o ponto central das fraudes envolvendo as negociações de veículos.

A Polícia Civil agora analisará celulares, documentos, contratos, extratos e dados obtidos por meio das quebras de sigilo. O objetivo é reconstruir o caminho do dinheiro, localizar os veículos, identificar a participação de outras pessoas e verificar se existem novas vítimas.

O delegado esclareceu que a Operação Pátio Paralelo está focada nas negociações de veículos. Os demais boletins envolvendo contas bancárias, familiares e empresas de móveis poderão ser analisados em procedimentos separados.

Defesa pede liberdade

O advogado William Puhl afirmou que Sara se apresentou voluntariamente e que pretende pedir sua liberdade por meio de habeas corpus.

A defesa sustenta que não estariam presentes os requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva, argumentando que Sara não trabalha mais no estabelecimento onde os fatos investigados teriam ocorrido, possui um filho menor de 12 anos e se colocou à disposição das autoridades.

Durante o interrogatório, Sara permaneceu em silêncio. Conforme o advogado, qualquer manifestação sobre as acusações deverá ocorrer durante o andamento do processo.

O espaço permanece aberto para novas manifestações da defesa, da concessionária, das instituições financeiras e das demais pessoas mencionadas nos boletins. Todos os fatos continuam sob investigação, e os envolvidos têm assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.

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