Irmão de Daniel Bennemann Frasson procurou a Polícia Civil e atribuiu ao advogado Rodrigo Pouso Miranda a divulgação de gravações ligadas a processo sigiloso; família pede retirada do conteúdo e apuração de eventual responsabilidade
A divulgação de vídeos relacionados ao caso do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa, Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e esfaquear a própria filha, ganhou um novo capítulo. Familiares de Daniel procuraram a Polícia Civil e denunciaram o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa familiares de Gleici, alegando que gravações ligadas a um processo que tramita sob segredo de Justiça teriam sido divulgadas nas redes sociais.
Segundo informações repassadas, o irmão de Daniel e apontado no documento como seu curador. Ele afirmou às autoridades que existe um processo sob segredo de Justiça envolvendo Daniel e que vídeos relacionados aos autos teriam sido publicados por Rodrigo no Instagram no último domingo, dia 6 de setembro.
No registro policial, Rodrigo Pouso Miranda aparece na condição de suspeito, e a ocorrência foi classificada inicialmente com naturezas relacionadas a divulgação de segredo, violação de sigilo funcional e violação de segredo profissional. Essas classificações representam o enquadramento inicial dado ao relato apresentado à polícia e não significam que o advogado tenha sido condenado ou sequer responsabilizado judicialmente pelos fatos.
Família alega exposição de Daniel e da filha menor
Thiago declarou que os vídeos teriam exposto Daniel, a filha menor dele e outros integrantes da família. Conforme o relato apresentado às autoridades, a publicação teria provocado revolta, indignação e preocupação entre os familiares, principalmente pelo temor de que o conteúdo divulgado levasse a população a formar uma percepção negativa contra membros da família.
Ainda conforme as informações repassadas, a família pretende buscar a remoção dos vídeos das redes sociais, além de eventual reparação na esfera cível e apuração sobre possível responsabilidade criminal relacionada à divulgação.
Vídeos tiveram repercussão nacional
As gravações que motivaram a denúncia haviam sido divulgadas pelo próprio Rodrigo Pouso Miranda, que atua representando a família de Gleici. O material mostra discussões entre Gleici e Daniel nos dias que antecederam o crime e também registros feitos na manhã de 24 de junho de 2025, quando a empresária foi morta dentro da residência da família, em Lucas do Rio Verde.
Na reportagem publicada anteriormente, as imagens mostram Daniel circulando pela casa e, posteriormente, entrando na cozinha, pegando uma faca e seguindo para o quarto onde estavam Gleici e a filha. Depois dos ataques, ele volta a aparecer nas gravações com sangue nos braços e nas mãos. O laudo de necropsia apontou que Gleici sofreu 16 golpes de faca.
A criança, que tinha 7 anos na época, também foi esfaqueada e sobreviveu depois de permanecer cerca de três semanas internada em uma Unidade de Terapia Intensiva.
Advogado usou imagens para contestar tese de incapacidade
Quando divulgou o material, Rodrigo Pouso Miranda afirmou que os vídeos reforçariam a posição da família de Gleici de que havia conflitos e ameaças antes do assassinato.
Entre os registros divulgados estão discussões envolvendo dinheiro e patrimônio. O advogado também afirmou publicamente que Daniel teria ameaçado matar Gleici e a filha dias antes do crime. Uma mensagem apresentada junto ao material mostra uma familiar orientando Gleici a esconder as facas da residência.
A divulgação ocorreu em meio à discussão judicial sobre a condição mental de Daniel. Perícia psiquiátrica considerou o agrônomo inimputável, conclusão contestada pelo Ministério Público e pelos familiares de Gleici. O Judiciário determinou uma nova avaliação pericial para esclarecer pontos relacionados à capacidade de Daniel de compreender seus atos no momento do crime.
Agora, divulgação vira alvo de questionamento
Com a nova denúncia, a discussão passa também a envolver a origem, o caráter sigiloso e a possibilidade ou não de divulgação pública das gravações.
A família de Daniel sustenta que o conteúdo estaria relacionado a processo submetido a segredo de Justiça e entende que sua exposição pública deve ser investigada. Caberá agora às autoridades verificar de que forma Rodrigo teve acesso ao material, se as imagens efetivamente estavam abrangidas pelo sigilo judicial e se houve alguma conduta que configure ilícito.
Até o momento, não há informação de que Rodrigo Pouso Miranda tenha sido indiciado ou denunciado criminalmente em razão da ocorrência. O registro representa uma acusação apresentada por familiares de Daniel e deverá passar pela análise das autoridades competentes.
É deixado espaço aberto ao advogado Rodrigo Pouso Miranda para manifestação sobre as acusações apresentadas pela família de Daniel Bennemann Frasson. Caso haja posicionamento, a reportagem será atualizada.
