Sorriso: Sarinha da Toyota se entrega à polícia e delegado afirma que ela é o principal alvo de esquema milionário

Redação Boa Notícias

A investigada compareceu à delegacia acompanhada do advogado William Puhl. Defesa afirma que a apresentação foi espontânea e anunciou pedido de habeas corpus.

Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha”, apresentou-se à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (27), em Sorriso, acompanhada do advogado William Puhl. Ela estava com a prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Pátio Paralelo, que investiga um suposto esquema de desvio de veículos e valores pagos por clientes durante negociações comerciais.

Em entrevista ao JK, o delegado Thiago Meira afirmou que a Polícia Civil já havia localizado Sara e monitorava sua permanência no escritório do advogado. Segundo ele, uma equipe estava preparada para abordar o veículo quando recebeu a informação de que a investigada seguiria voluntariamente para a delegacia.

“Hoje ela acabou se entregando aqui na delegacia. Nós já tínhamos a informação de onde ela estava. Ela estava no escritório do advogado e estávamos monitorando. Quando saísse, a equipe abordaria o veículo para efetuar a prisão, mas o advogado ligou informando que estava se deslocando até a delegacia para apresentá-la”, explicou.

Após chegar à unidade policial, a prisão preventiva foi formalmente cumprida. A investigada ficou à disposição do Poder Judiciário.

Polícia aponta Sara como figura central

De acordo com o delegado, a investigação é considerada complexa e ainda está em andamento. A Polícia Civil afirma ter identificado uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 50 milhões, no período de um ano, nas contas relacionadas aos investigados.

“São investigações que demandam certo tempo, mas conseguimos levantar muitas informações. O montante movimentado pelos suspeitos em um ano ficou em torno de R$ 50 milhões. Existe muita movimentação sobre a qual eles precisam prestar esclarecimentos”, declarou Thiago Meira.

Questionado se Sara seria a principal responsável pelo suposto esquema, o delegado afirmou que, até o momento, ela aparece como o ponto central das fraudes investigadas.

“Até o presente momento, sim. Ela é o ponto principal das fraudes”, afirmou.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, Sara teria movimentado cerca de R$ 8 milhões em uma conta pessoal durante um ano. A polícia estima inicialmente um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões às vítimas, mas o valor poderá aumentar. Entre 15 e 20 possíveis vítimas já teriam sido identificadas.

Desvio de carros e pagamentos

A Operação Pátio Paralelo foi deflagrada na quarta-feira (26) para investigar suspeitas de furto qualificado, associação criminosa, lavagem de dinheiro, desvio de veículos e fraudes em negociações comerciais.

Conforme a investigação, clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento na compra de outros automóveis. Esses carros, porém, supostamente não eram registrados no fluxo regular da concessionária e teriam sido direcionados a garagens ligadas aos investigados.

Também há suspeita de que pagamentos feitos pelos clientes tenham sido enviados para contas de pessoas físicas, terceiros e empresas relacionadas ao grupo, em vez de serem depositados diretamente na conta da concessionária.

O delegado esclareceu que o inquérito conduzido pela Delegacia de Sorriso está concentrado nas negociações envolvendo veículos. Sara possui outros boletins de ocorrência, que poderão ser analisados separadamente em outros procedimentos.

Celulares e contas serão analisados

Com a apreensão de celulares, documentos, contratos e outros materiais, a Polícia Civil pretende aprofundar a análise das transações financeiras e identificar o destino dos veículos e dos valores.

“Agora teremos os celulares, os extratos bancários e as informações obtidas por meio das quebras de sigilo. Esperamos chegar até o fim da linha, porque existem mais pessoas que ainda serão investigadas”, acrescentou o delegado.

A Operação Pátio Paralelo cumpriu mais de 20 ordens judiciais, incluindo sete mandados de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros.

Defesa pede liberdade

O advogado William Puhl afirmou que estava em contato com Sara desde quarta-feira, quando tomou conhecimento da operação pela imprensa e foi procurado pela Polícia Civil.

Segundo o defensor, a investigada já manifestava o interesse de se apresentar voluntariamente, mas a ida à delegacia acabou ocorrendo somente nesta quinta-feira.

“Ela esteve no escritório, conversamos e, a todo momento, manifestou o desejo de se entregar. Viemos para a delegacia e ela se apresentou de forma espontânea”, declarou.

A defesa sustenta que não existem motivos para a manutenção da prisão preventiva, argumentando que Sara não trabalha mais no estabelecimento onde teriam ocorrido os fatos investigados, possui um filho menor de 12 anos e já havia se colocado à disposição das autoridades.

“Entendemos que não estão presentes os requisitos da prisão preventiva. Estamos impetrando habeas corpus em favor dela e vamos aguardar o desenrolar do procedimento”, afirmou Puhl.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de algum transtorno psicológico relacionado às condutas investigadas, o advogado disse que não conversou sobre o assunto com a cliente e ressaltou que qualquer conclusão nesse sentido dependeria de uma avaliação médica pericial.

As investigações continuam. Os fatos atribuídos aos envolvidos ainda dependem da conclusão do inquérito e de eventual julgamento pela Justiça, sendo assegurados aos investigados o contraditório e a ampla defesa.

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