Professora de Boa Esperança do Norte é denunciada por falsificar atestados médicos em nome de médicas do município e até do Dr. Fábio Júnior, que morreu em 2025; família fica abalada: “Queríamos muito que a assinatura fosse verdadeira; a perda do Fábio ainda dói muito”

Redação Boa Notícias

Documento impresso aparece em nome do Dr. Fábio Júnior da Silva, que morreu em março de 2025, mas consulta eletrônica aponta outro suposto emissor e até código de diagnóstico diferente; Polícia Civil deve apurar possível falsificação

Um caso envolvendo suspeita de falsificação de atestados médicos em Boa Esperança do Norte ganhou um novo elemento nesta quarta-feira (9). Além de um documento apresentado em nome do médico Dr. Fábio Júnior da Silva, falecido há aproximadamente um ano e meio, a verificação eletrônica do atestado revelou divergências relevantes entre aquilo que aparece no papel e os dados apresentados na página de validação.

Segundo informações e documentos repassados ao JKNOTICIAS.COM, o atestado direcionado para a profesSora do Distrito de Água Limpa Eliza da Silva Gracia Borges, impresso está datado de 3 de setembro de 2026 e atribui a emissão ao Dr. Fábio Júnior da Silva, identificado no próprio documento como médico clínico geral, CRM-MT 9227. O papel prevê afastamento profissional pelo período de dois dias.

 

O problema é que Fábio morreu em março de 2025.

Portanto, caso a data impressa no documento seja verdadeira, seria impossível que o médico tivesse realizado pessoalmente aquele atendimento ou assinado um atestado em setembro de 2026.

QR Code revela outra informação

A situação ficou ainda mais estranha depois que o documento foi submetido à consulta eletrônica.

Uma imagem encaminhada ao JK mostra a tela de “Resultado | Autenticidade – Atestado” acessada por meio do sistema indicado para validação.

Na tela aparece o mesmo nome da pessoa para quem o documento teria sido emitido e a mesma data, 3 de setembro de 2026, às 9h35. Também aparecem a unidade Posto de Saúde Benjamin Raiser e o afastamento de dois dias.

Entretanto, no campo “Emitido por”, não aparece o nome do Dr. Fábio Júnior.

O sistema mostra como emissor:

“Doidao Tunado – CRM SP 1533.171”.

A informação chama atenção pela diferença absoluta em relação ao documento impresso.

Além disso, o código de diagnóstico apresentado na consulta eletrônica também é diferente daquele registrado no atestado em papel.

Ou seja: apesar de algumas informações coincidirem — como paciente, data, unidade e quantidade de dias de afastamento —, o médico e o código de diagnóstico apresentados na validação não são os mesmos constantes no documento físico.

Essa divergência deverá ser esclarecida durante a investigação.

Documento em papel cita médico morto

No atestado entregue ao JK, consta expressamente que o atendimento teria sido realizado em uma unidade básica de saúde no dia 3 de setembro de 2026, às 9h35, com afastamento das atividades profissionais por dois dias.

Logo abaixo aparece o nome:

Dr. Fábio Júnior da Silva — CRM-MT 9227.

A identificação do estabelecimento no próprio documento aponta ainda para o Posto de Saúde Benjamin Raiser, em Sorriso.

O cruzamento dessas informações com a morte do médico levantou a suspeita de que seus dados profissionais possam ter sido utilizados indevidamente depois do falecimento.

Família de Dr. Fábio procurou a Polícia Civil

Segundo informações colhidas pelo JK, familiares do Dr. Fábio tomaram conhecimento da existência de documentos médicos recentes utilizando o nome do profissional já falecido.

A situação foi levada à Polícia Civil de Sorriso, que deverá apurar quem produziu o documento, de que maneira os dados do médico foram inseridos, onde o atestado foi apresentado e se existem outros documentos semelhantes circulando.

A investigação também poderá verificar como um documento que, no papel, traz o nome de um médico falecido apresenta, durante a validação eletrônica, um suposto emissor completamente diferente.

Caso pode não ser isolado

A suspeita se torna ainda mais grave porque uma médica da rede pública da região já havia denunciado que seus dados profissionais também estariam sendo utilizados na emissão de atestados falsos.

Segundo informações repassadas ao JK, a médica afirmou trabalhar no distrito de Parque Água Limpa e informou às autoridades que havia descoberto a existência de dez atestados médicos supostamente confeccionados em seu nome sem autorização.

Na documentação encaminhada à polícia, os fatos aparecem associados inicialmente a possíveis crimes contra a fé pública, incluindo falsidade de atestado médico, falsidade material de atestado ou certidão e falsificação de documento público.

A polícia deverá verificar se existe alguma relação entre os documentos anteriormente denunciados e o novo atestado atribuído ao Dr. Fábio.

Investigação terá que explicar as divergências

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão quem confeccionou o atestado, quem inseriu os dados do médico falecido, como o documento foi parar no sistema de validação e por que a consulta eletrônica apresenta um emissor diferente daquele mostrado no papel.

Também será necessário determinar se houve efetivamente atendimento médico naquele dia e se dados legítimos de sistemas de saúde foram utilizados para produzir ou alterar documentos.

Até que as investigações sejam concluídas, a pessoa citada nos documentos deve ser tratada como suspeita, sem condenação definitiva pelos fatos narrados.

O JKNOTICIAS.COM deixa o espaço aberto para manifestação da servidora citada, da Prefeitura de Boa Esperança do Norte, da Prefeitura de Sorriso e demais envolvidos.

No atestado impresso, consta o CID-10 Z01.4, que corresponde a “exame ginecológico (geral) de rotina”. Esse código é usado para atendimento/exame ginecológico de rotina.

Já na consulta eletrônica de autenticidade, a tela mostra o CID-10 Z76.5. Esse código significa oficialmente “Pessoa fingindo ser doente [simulação consciente]”. A própria terminologia oficial do Ministério da Saúde traz essa descrição para o Z76.5.

Isso deixa um ponto muito forte para a matéria: o papel apresentado informa um exame ginecológico de rotina, enquanto o sistema de validação vinculado ao documento registra “pessoa fingindo ser doente/simulação consciente”.

Uma forma de acrescentar isso à reportagem seria:

CID registrado no sistema chama atenção

Outro detalhe descoberto pelo JK torna o caso ainda mais inusitado. No atestado impresso consta o CID-10 Z01.4, referente a exame ginecológico de rotina. Entretanto, quando o documento é consultado no sistema eletrônico de autenticidade, aparece o CID-10 Z76.5, cujo significado oficial é “pessoa fingindo ser doente [simulação consciente]”.

Além da divergência no nome do médico, já que o papel atribui o documento ao falecido Dr. Fábio Júnior da Silva enquanto o sistema apresenta outro suposto emissor, até o diagnóstico registrado é completamente diferente.

A discrepância deverá ser analisada pela Polícia Civil para esclarecer se houve adulteração do documento, utilização indevida de dados médicos ou alguma outra irregularidade no sistema de emissão.

Esse Z76.5 é jornalisticamente muito relevante para o caso, porque literalmente indica simulação consciente de doença. Isso, porém, não prova sozinho que a servidora efetivamente simulou uma doença; é necessário esclarecer por que esse código aparece no sistema e quem o inseriu.

Prefeitura de Sorriso emite NOTA

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Sorriso se manifestou oficialmente sobre o atestado médico apresentado por uma servidora de Boa Esperança do Norte e que traz como suposto emissor o Dr. Fábio Júnior da Silva, médico de Sorriso que morreu em março de 2025.

Em nota encaminhada ao JKNOTICIAS.COM, a Secretaria informou que não forneceu o atestado no modelo apresentado e que o documento não corresponde ao padrão utilizado por nenhum serviço de saúde do município.

A manifestação oficial acrescenta um novo elemento ao caso: segundo a Prefeitura, embora o papel apresente o CRM de um profissional que integrou a equipe de saúde de Sorriso, o médico citado já faleceu.

Além disso, o QR Code existente no documento direcionaria para informações relacionadas a outro CRM, do Estado de São Paulo, que, segundo a Secretaria de Saúde de Sorriso, consta como inexistente quando verificado.

A investigação deverá esclarecer quem produziu os documentos, de que forma foram confeccionados, quantos atestados foram utilizados, quais profissionais tiveram seus nomes empregados e se outras pessoas participaram do esquema.

A Prefeitura de Boa Esperança do Norte também poderá adotar medidas administrativas em relação à servidora, independentemente da investigação criminal.

Eliza da Silva Garcia Borges é apontada como suspeita nos documentos apresentados às autoridades. A apuração está em andamento e a existência do registro policial não representa condenação. O JKNOTICIAS.COM deixa espaço aberto para manifestação da professora e de sua defesa.

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